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quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

CRÍTICA DON'T LOOK UP

Olá. Ótimo ano novo pra você. 

Chegando o primeiro vídeo do ano, uma crítica completa do polêmico filme Don't look up. Confira.





Curta, comente, compartilhe.

Breve crítica de Matrix Resurrections.

Obrigado.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

DE VOLTA PARA O FUTURO ENTRA PARA A HISTÓRIA!

A trilogia De volta para o futuro é uma das melhores já realizadas na história do cinema nos gêneros ficção científica, aventura e até mesmo comédia. Na minha opinião, sem dúvida e receio algum, a melhor.



BACK TO THE FUTURE
FONTE: GBPOSTERS



Back to the Future foi lançado em 3 de julho de 1985. Foi dirigido por Robert Zemeckis, escrito por Zemeckis e Bob Gale. 

O filme conta a história de Marty McFly (Michael J. Fox), um adolescente que volta no tempo, ao ano de 1955, onde conhece os seus futuros pais e acidentalmente corre o risco de desaparecer quando sua mãe se apaixona por ele.

Contando com personagens carismáticos e atuações formidáveis (podemos citar Christopher Lloyd interpretando o simpaticíssimo Dr. Emmett "Doc" Brown), uma história envolvente e inovadora, além de belíssimos efeitos visuais (para a época e, convincentes até hoje) e ótima trilha sonora, os três filmes conquistaram gerações. 

No primeiro filme, como mencionado, Marty viaja ao passado, 1955, no segundo, para o futuro, 2015, tentando resolver problemas dos filhos e criando involuntariamente uma linha alternativa no tempo de 1985. Já o terceiro filme se passa no velho oeste, ano de 1885, onde Marty tenta salvar o Doc Brown (que seria assassinado em cinco dias) e voltar em segurança ao futuro.








Ontem, dia 21 de outubro de 2015, foi a data memorável em que Marty chegou ao futuro, no segundo filme.


Há muitas coisas que efetivamente tornaram-se reais, outras, imaginadas pelo Robert Zemeckis, que são obsoletas, outras ainda por hora inacessíveis.

O hoverboard ou skate voador, por exemplo, ainda não existe, pelo menos não exatamente como gostaríamos. Em 2014, uma empresa criou o protótipo Hendo Hover, uma prancha que levita pouco mais de 2 centímetros, utilizando o princípio do magnetismo, com quatro motores de flutuação. Com o avanço tecnológico, talvez tenhamos futuramente um objeto funcional similar ao do filme, que é um sonho de consumo para muitos fãs. 

O carro voador não existe, embora protótipos que mais parecem aviões, helicópteros ou drones tenham surgidos. 

Já as telas LED com diversos canais simultâneos, ou vídeo chamada, são reais hoje.

O fax se tornou obsoleto, ainda que ainda exista em alguns setores governamentais. 

O hidratador de alimentos deu lugar ao microondas. 

Os tênis que se amarram sozinhos já foram patenteados e lançados pela NIKE. 

Já o Mr. Fusion, motor abastecido com lixo, é apenas idealização imaterial (ainda usamos combustível fóssil e com altíssimo valor de custo e ônus à natureza).

Quanto ao capacitor de fluxo, bem, a maioria dos cientistas discorda sobre viagem no tempo para o passado. É possível ir para o futuro, desde que possamos nos aproximar da velocidade da luz ou de objetos massivos com gigantesco campo gravitacional como um buraco negro.





Ontem, De volta para o futuro, literalmente, após 30 anos, entrou para a história.


Para comemorar, videos publicitários foram lançados como esse acima - direitos reservados aos autores. Dr. Brown e Marty conversando 30 anos no futuro é empolgante e nostálgico.

Viva Dr Brown, Marty, Zemeckis e todos que fizeram e fazem parte dessa magnífica trilogia!

Rápidas curiosidades: 

* Eric Stoltz seria o Marty, mas o diretor achou que ele não transmitiria a jovialidade e humor necessário.

* A máquina do tempo seria uma geladeira e não um DeLorean, mas a produção e direção tinham receio de que crianças poderiam se trancar em geladeiras.

*A Disney recusou o projeto por causa do interesse amoroso da Lorraine Baines McFly (Lea Thompson)  por Marty.


Mais dados interessantes em outro artigo do meu blog aqui

Obrigado.

Texto e pesquisa: Miguel Souto


sexta-feira, 10 de julho de 2015

SENSE8 - CRÍTICA

Sense8
Fonte: BP / NetFlix


Sinopse:

Oito estranhos, de diferentes partes do mundo, descobrem estar mental e emocionalmente ligados um ao outro, sendo capazes de se comunicar, sentir e adquirir conhecimento, linguagem e habilidades mútuas. Enfrentando perigos e dilemas compartilhados, são perseguidos por uma corporação que tenta matá-los.



Dados técnicos:

A série é escrita e produzida por Andy e Lana Wachowski (Matrix) e por J. Michael Straczynski. Lançada pela Netflix no dia 05 de junho de 2015, a primeira temporada contém 12 episódios.

Locais de locação e gravações: Chicago (EUA), San Francisco (EUA), Londres (Inglaterra), Berlim (Alemanha), Seul (Coréia do Sul), Reykjavík (Islândia), Cidade do México (México), Nairobi (Quênia) e Mumbai (Índia).

Independente do local, a língua predominante na série é o inglês.



Dados adicionais - personagens e atores:

* Capheus Van Damme (ator Aml Ameen) é um carismático motorista de van em Nairobi, que tenta ganhar dinheiro para comprar remédios para sua mãe, que sofre de AIDS.

* Sun Bak (atriz Doona Bae) é a filha de um poderoso empresário de Seul e luta kickboxing.

* Nomi Marks (atriz Jamie Clayton) é uma hacktivist e trans lésbica que vive em San Francisco.

* Kala Dandekar (atriz Tina Desai) é uma farmacêutica e devota Hindu em Mumbai, que deve se casar com um homem que ela não ama.

* Riley Blue (atriz Tuppence Middleton) é uma DJ islandesa que mora em Londres e possui um complicado passado.

* Wolfgang Bogdanow (ator Max Riemelt) é um serralheiro de Berlim e arrombador, que tem questões não resolvidas com seu falecido pai e participa do crime organizado.

* Lito Rodriguez (ator Miguel Ángel Silvestreé um gay não assumido espanhol, ator de telenovelas e filmes.

* Will Gorski (ator Brian J. Smith) é um policial de Chicago assombrado por um assassinato não solucionado de sua infância.



Crítica:

A seguir texto com spoiler elaborado para você que já assistiu a série.

Assim que assisti ao trailer, tive a impressão de que, mesmo com drama, assistiria a uma série repleta de efeitos visuais sobre super humanos, algo similar a Heroes. Foi apenas impressão: a série é muito dramática com leve porção de ação e de ficção no prato. A ficção é quase indistinguível ao paladar mais exigente.

O foco principal de toda narrativa é a relação entre os oito personagens, seus dilemas distintos e perigos coletivos. 

Há tempo de sobra para o telespectador conhecer cada um dos personagens, sua cultura, história e acompanhá-los na jornada. 

As subtramas são bem estruturadas, fator essencial para o ator demonstrar seu potencial e conquistar a simpatia do público, o que ocorre na maioria dos casos.

Quais são os personagens mais interessantes? Depende do ponto de vista. No meu, o galã mexicano gay, a empresária coreana e o policial. Por que? 

O primeiro causa uma enorme empatia com seu dilema entre continuar a carreira, assumir a homossexualidade e ajudar uma leal amiga. Há cenas cômicas, inusitadas e dramáticas protagonizadas por ele. E sim, há até eventual ação. Seu sentimento pelo companheiro transborda na tela - torcemos para ambos estarem sempre juntos e/ou voltarem. 

Os dois últimos são as peças chaves da ação. Quando eles surgem, a depender da situação, lutam! Quando os outros precisam de ajuda braçal, são esses dois que sobem no palco ou entram em cena.

Há o personagem Will Gorski (o arrombador de cofre) que demonstra também suas habilidades em pontuais cenas.

Os outros personagens são legais também, porém ficam restritos ao drama. Puramente. 

A blogueira transexual, por exemplo, demonstra reais casos de preconceitos e problemas do gênero (há vários aspectos de experiência pessoal da Lana Wachowski - que era chamada de Larry em 1998 durante as filmagens de Matrix -, muito bem retratados aqui). As cenas de beijos, carícias e sexo entre as duas são belas, embora poderiam ser mais provocativas e apimentadas.

O motorista de ônibus africano é a própria representação da desigualdade social, pobreza e rejeição social, mas que ainda assim mantêm a esperança, determinação e a alegria sempre ao seu lado. 

A Deejay sofre com seu passado sombrio, e se envolve com um dos 'sensates', mesmo correndo alto risco de ser pega. 

A indiana sofre com a opressão cultural e familiar, pois não quer (e nem deve) casar-se sem amor e etc.



Destaques na atuação: 

Ator Aml Ameen, que vive o motorista Capheus Van Damme. Ele transmite fielmente a dor de uma classe desfavorecida do País Quênia (e de outros como o Brasil!) e a esperança contida ou não nos olhos, além da determinação de vencer oponentes e obstáculos.

Ator Miguel Ángel Silvestre, que vive Lito Rodriguez. Demonstra entrega total ao papel de gay, transmitindo sofrimento nos dilemas sociais, carga de receios profissionais e preconceitos e turbulências na relação.

Ator Lwanda Jawar, que interpreta Githu, líder da "superpotência" da gangue de Nairobi. Embora não apareça com frequência (e sua existência não dure muito) é imponente, seguro e impõe real perigo e consequente temor a todos.

Ator Peter King Mwania que vive Silas Kabaka, um grande mafioso que oferece trabalho pra Capheus. Transmite revolta, agressividade, ódio, mas ao mesmo tempo, sua relação com a filha transmite compaixão, amor e respeito. É o cara do mal, que ainda assim nos importamos com ele.

Ator KK ou KK fer með hlutverk föður Rileys que vive Gunnar, pianista pai de Riley. Ele é carismático, transmite sinceridade, compaixão, desvelo e amor. Embora tenha poucas participações, nestas, lança simpatia num só olhar.



Destaque sensual: 

Atriz Eréndira Ibarra ou a personagem Daniela, amiga incondicional de Lito: sexy, ousada, cômica, bela e provocativa.



Pontos positivos da série:

Boa edição, considerando sobretudo as distâncias geográficas.

O objetivo é tornar os dois ambientes um único, quando dois sensates estão em telepatia ou unidos, e os editores quase sempre conseguem.

Boa representação dos preconceitos e problemas sofridos pelos homossexuais.

Há boas lutas envolvendo a coreana e o policial. A coreografia de grande parte das lutas é bem executada.

Eventualmente há boas cenas de ação envolvendo o arrombador de cofres. Há uma cena em que ele explode um carro com capangas do tio dele que ficou excepcional, incluindo movimento de câmera em guindaste ou cabo durante a explosão.

O realismo na relação homoafetiva dos personagens Lito Rodriguez e Hernando (este último interpretado por Alfonso Herrera) é belo, apreciável e contagiante. 

Vale ressaltar que há no mínimo, duas cenas em que Lito aplica diversos golpes contra oponentes. Quando ele ajuda Wolfgang na luta contra os capangas e quando ele luta e derrota Joaquim (Raúl Méndez), o namorado violento da Daniela Velasquez. Claro, que nessa última ele teve a ajuda de um sensate.

As atuações entre as lésbicas e os gays são muito convincentes.



Pontos negativos da série:

Poucas cenas de açãoO número de cenas de lutas, artes marciais, perseguições e tiroteio, poderia ser duplicado.

Falta de mais sexo ou de cena que justifique a classificação 18 anos. 
Sim, por ser uma série comprada e veiculada pela Netflix, um serviço independente de streaming, e ter recomendação para maiores, a direção poderia ser mais ousada.
É possível ver de longe cabelos pubianos e seios, e até pênis flácido, mas nada além disso. A sensibilidade ao toque, excitação e erotismo dos personagens poderia ser mais explorada sem censura, favorecendo a narrativa.

A vida dos personagens é bem desenvolvida, mas a razão da existência da Corporação que os persegue e a origem de tais "poderes", bem como histórico dos antigos sensates não são bem explicados.

É provável que seja estratégia dos roteiristas para a próxima temporada, mas há muitas lacunas na justificativa da história e em alguns personagens. 

Vou citar dois exemplos: Jonas Maliki, dramatizado pelo ator Naveen Andrews só existe para dar conselhos a alguns dos sensates, explicando o que pode ocorrer, e está quase inconsciente, preso, e pouco sabemos sobre ele além disso.

Outro personagem enigmático e mal desenvolvido é o Sr. Sussuros, feito pelo ator Terrence Mann. De onde ele veio? Por que persegue os sensates? Qual histórico dele e a Angélica (que morre no inicio da série)?

Falando nela, a Angélica, ou a atriz Daryl Hannah, de onde ela é? Quais poderes tem para conseguir antes da morte conectar as 8 pessoas? Já não são dois exemplos, são três.

São enormes lacunas na narrativa estrutural de alguns personagens e na história.

Assisti todos os episódios da primeira temporada e sinceramente, como comentei acima, não conheço histórico e motivações de alguns dos personagens.

Há ainda uma pequena dúvida: como se dá a telepatia ou projeção do sensate no outro lugar? Quando dois conversam, sabemos que para as pessoas ao redor não há ninguém. Até aí tudo bem. Mas e quando um sensate "apodera-se do corpo" e luta no lugar de outro que não tem habilidades (como quando Sun Bak ajuda Capheus Van Damme a derrotar maravilhosamente uma gangue)? Ela entra no corpo dele, apodera-se da mente ou está mesmo ali?

É uma série de drama, portanto tem muitos diálogos e pouco "movimento".

Após os primeiros episódios, a encarei como uma novela, claro, a série não segue a padronização de posicionamento de câmeras e  dramas triviais de, por exemplo, novelas brasileiras, afinal há elementos de ficção e ação, porém em grande parte assemelha-se a uma novela.


Resumo/Conclusão:

Sense8 é uma boa série dramática, tem boas atuações, apresenta temas insignes que instigam o senso crítico como homossexualismo, preconceito, imposição religiosa, desigualdade social etc. Ao mesmo tempo, é uma série com pouca ação e ficção propriamente dita. Quase não há efeitos visuais.

Embora tenha enraizada a temática transcendência - algo bem íntimo para as irmãs Wachowski, que produziram o filme Cloud Atlas,  abordando a fundo o assunto, o foco da série é predominantemente o dilema romântico, social, amistoso e tudo que estas relações implicam.

Os poderes ou habilidades dos sensates não são tão explorados, mas o contexto onde estes vivem. E como mencionei, não há poderes fantásticos que exigiriam efeitos visuais, mas ocorre apenas projeção de habilidades reais e palpáveis, como artes marciais, em situações rotineiras ou de risco vividas por outros sensates.

 É uma série bem produzida e planejada com boa edição e fotografia considerando as diversas locações pelo mundo.

Ela tem um altíssimo potencial no campo da ficção, da ação e da sensualidade, erotismo, mas não é explorada satisfatoriamente nessas áreas. É realista dentro do drama, palpável, verossímil.

Recomendo Sense8 para quem deseja entreter-se e emocionar-se com personalidades fortes, decisões difíceis, problemas sociais e de senso comum, mas não pra quem adora ficção e ação desenfreada. Mesmo assim,vale a pena conferir. 

Encare Sense8 como uma novela. Mais dinâmica e com elementos adicionais e prerrogativa fantasiosa, mas como uma novela.

Texto e Pesquisa:
Miguel Souto

domingo, 10 de maio de 2015

SÉRIE DAREDEVIL (DEMOLIDOR) - CRÍTICA

Sinopse:

Matthew Michael Murdock (Charlie Cox) torna-se cego após um acidente e desenvolve vários sentidos. Logo leva uma vida dupla: é advogado durante o dia, e pela noite, protege as ruas de Hell's Kitchen, seu bairro em Nova York.



Daredevil
FONTE: TRILHA

Dados Técnicos:


Série originária dos EUA, criada por Drew Goddard.

Estreou em Abril de 2015.

A Primeira temporada compreende 13 episódios de 52 a 60 minutos.

A série é produzida pela Marvel Television junto a ABC Studios para a Netflix (primeira original Marvel na Netflix).

No elenco temos Charlie Cox, Vincent D'Onofrio e outros. 

Na produção executiva temos Steven S. DeKnight e Drew Goddard.

Na direção, Steven DeKnight, que dirigiu Smallville.




Crítica:


A seguir texto com spoiler elaborado para você que já assistiu a série.

Essa é uma série sobre um simples homem cego que após treinamento, combate crimes e que tenta eliminar o chefe de uma máfia, não de um herói com poderes especiais, eliminando a maldade.

Críticos afirmam que a série é fiel aos quadrinhos. Não posso ratificar ou refutar, pois não li nada a respeito, mas não há quase nada comparado ao filme "Demolidor - o homem sem medo" de 2003, com Ben Affleck e dirigido por Mark Steven Johnson, o que é desconfortante. Muitos não apreciam este referido filme, mas a série não apresenta elementos de ficção presentes nele.

O herói luta bem, mas sofre diversas vezes e quase morre - isso torna a história mais realista e viril, mas nada visualmente atraente e explicado. 

Como ele se esquiva de golpes? Como sai pela janela do apartamento da namorada pulando escadarias tão facilmente, sendo cego?

Evidente que ele possui sentidos aprimorados, mas como detectar obstáculos ou se desviar de projéteis?





Sobre o elenco: 


A trama principal envolve o personagem Matt Murdock (Charlie Cox), o amigo advogado Foggy Nelson (interpretado por Elden Henson), que participou brilhantemente de "Efeito Borboleta" de 2004), sua primeira cliente que se torna secretária Karen (atriz Deborah Ann Woll), sua "quase" namorada enfermeira Claire (atriz Rosario Dawsone) e seu grande rival, Fisck (interpretado por Vincent D'Onofrio).

Cox convence sendo o demolidor, demonstrando angústia e sarcasmo, mas não é o destaque das atuações. 

O ator Henson, melhor amigo, carrega muito bem seu papel, trazendo humor e sinceridade. Toda vez que o vejo, só lembro do personagem Lenny Kagan de Efeito Borboleta. 

Ann Woll (secretária) trabalha razoavelmente bem, demonstrando ingenuidade e prestatividade.

Dawsone ('namorada' de Matt) brilha significativamente na tela, demonstrando compaixão e amor pelo protagonista (pena que não tem maior tempo pra aprofundar seu personagem e se revelar, pois é uma boa atriz). 

O segundo maior destaque da série é Ayelet Zurer (Vanessa, namorada de Wilson Fisk). O sentimento verdadeiro exposto, sua dedicação, sua sensibilidade, sua entrega completa é nítida na tela. Sua presença em tela é bela (sim, embora tenha nascido no ano que pisamos na Lua - 1969 - a atriz conserva sua beleza). Sua atuação é cativante e nos motiva. Sabemos que ela ama incondicionalmente Fisk, mesmo sendo este um monstro.

Já o primeiro maior destaque da série é do ator com a cabeça raspada Vincent D'Onofrio - cheguei a torcer e ter piedade do solitário vilão. O histórico da infância do mesmo é super bem desenvolvido e sua presença é intimidadora (até na voz), cruel, mas irônica e simultaneamente serena, reflexiva e piedosa.

Ele arranca literalmente a cabeça de um rival batendo a porta do carro (nunca vi esse absurdo! - ri e me impressionei), porém, ele chora quando Vanessa é envenenada e corre risco de morte, pois nutre um sublime sentimento e abre-se sempre com ela.





Sobre a história:


Matt busca vingar a morte do pai e destruir vilões pela noite, incluindo a máfia oriental e Fisk, enquanto tenta sobreviver com o amigo montando uma empresa de advocacia. Essa união com o amigo é super legal e funciona, inclusive quando estes brigam por causa do segredo de Matt. Nesse ponto torcemos pelo retorno da amizade. 

O vínculo com a secretária também funciona, pois esta foi a primeira cliente deles e trabalha voluntariamente.

Há sub-tramas como o jornalista Ben e Ann Woll, a máfia oriental de tráfico humano, o velho que ensinou Matt, o Padre conselheiro, mas, como mencionei, a sub-história de Fisk e Vanessa é a mais interessante da série.




Pontos positivos da série: 


As lutas são realistas, há um senso de fragilidade do personagem, bom desenvolvimento na carreira de advocacia, linguagem técnica bem delineada, interessantes conflitos nas relações amistosas e boa apresentação da infância do vilão.




Pontos negativos da série: 


Falta de explicação visual das habilidades de locomoção e luta.

Quase não há efeito visual. Não há bullet-time, altos frames por segundo, giro de câmera, visão de "eco-localização" em primeira pessoa, como em "Demolidor". 

Ação contida e sem excessos de sangue: por se tratar da Netflix, poderia ter classificação 18 anos e não 16. 

A introdução (para exibição dos créditos iniciais) é demorada.

Há diálogos longos e cansativos, um exemplo é uma cena onde o protagonista conversa com um padre.




Resumo/Conclusão: 


Marvel's Daredevil é uma boa série sobre vingança, aspectos judiciários, amizade, segredos, lutas, limitações, tem um ótimo vilão, mas não possui quase nenhum efeito visual e é contida na ação e sangue, pois tem classificação 16 anos. 

Recomendo, mas com ressalvas. Sinceramente não me surpreendeu, nem igualou a expectativa. 

Esperava assistir "O Demolidor" de 2003 numa versão muito mais agressiva e visualmente inovadora. 

Em todo caso, vale a pena conferir. Já assisti toda a primeira temporada. 

Deixe seu comentário a respeito. 


Thanks.


Texto e pesquisa:
Miguel Souto

terça-feira, 3 de março de 2015

SÉRIE FOREVER - CRÍTICA

Forever
Fonte: Warner


Dados tecnicos:

Essa série americana do Canal ABC, criada por Matthew Miller, estreou em setembro de 2014.

No Brasil, ela é exibida pelo canal Warner.
Serão 22 episódios só na primeira temporada.


Sinopse:


Henry Morgan, um famoso médico-cirurgião de Nova York, é imortal e tem 200 anos de idade. Quando chegou aos 35, ele morreu pela primeira vez, e mesmo eventualmente falecendo, sempre renasce. Trabalhando ao lado de sua parceira, a detetive Jo Martinez, ele busca explicação e reversão de sua imortalidade, enquanto sabiamente soluciona complexos crimes.


Crítica:

Eis que o "Senhor Fantástico"/"homem elástico" do Filme "Quarteto Fantástico" resurge. Reconheci imediatamente o ator Ioan Gruffudd, que mesmo não sendo nem um pouco elástico, mantêm habilidades super-humanas.

Eu não sabia, mas ele participou do filme Titanic, fazendo o papel do oficial Harold Lowe, dentre outros.

A série é interessante, pois mescla dois gêneros distintos: policial e ficção. É uma mistura de Sherlock holmes, CSI Investigação Criminal (confira aqui a belíssima e cara abertura da Temporada 10) e um super herói qualquer tímido e recluso. Claro: ele não salva vidas, mas é imortal e tenta manter tal segredo.

Diferente de Sherlock holmes, a série não apresenta gráficos nas cenas de elucidação ou análise técnica de crimes. Na minha opinião, deveria, pois traz elegância e criatividade, além de auxiliar a narrativa. Exemplo: em um episódio, Henry comenta sobre um sujeito que se jogou de uma ponte, alegando que é uma das piores mortes possíveis (no impacto com a água, a bacia se rompe e os fragmentos afiados de ossos rasgam intestinos, estômago e até pulmões). Nesse momento poderiam exibir tais rompimentos etc.

Apesar de seguir a rotina de um legista, a série é leve - até demais. Há momentos em que são exibidos os cadáveres, mas em sua maioria de longe, de perfil, cobertos parcialmente, desfocados, limpos em excesso. Suponho ter sido uma estratégia para diminuição da faixa etária. Pra mim, um ponto negativo. Deveriam mostrar a mesa de autopsia repleta de sangue, cadáveres (ou bonecos) com genitália exposta, abertura de crânios com serra. Impressionante como o avental do Henry está sempre limpo e impecável!

O ator Gruffudd apresenta em tela, carisma, segurança, inteligência e até um pouco de solidão, dada sua habilidade e necessidade de discrição. 

Henry é muito preocupado com seu segredo, tanto que sempre torcemos para 
a Detetive Jo Martinez (Alana de la Garza) descobri-lo. Ela as vezes chega bem próximo. Mas só. Mesmo após ouvir problemas íntimos da detetive e esta oferecer-se para ouvi-lo como amiga confidente, Henry não cede. Continuamos na torcida.

A atuação dos dois é bem legal, mas a relação é pálida e bem técnica. Já que ela é viúva e Henry também, poderia rolar um relacionamento conturbado ou pequenas e finas camadas de amor contido, mas não há.

A relação de Henry com Abe (Judd_Hirsch), seu melhor amigo e filho adotivo, resgatado em um campo de concentração é muito boa. Os dois em cena transmitem muita intimidade e espontaneidade. Por vezes as partes cômicas são aplicadas nos diálogos deles, o que é maravilhoso.

Uma das qualidades intocáveis da série é sua trama técnica - criminal. Os casos, novos a cada episódio, são complexos, detalhados, apresentando reviravoltas impressionantes. O alto nível de sensibilidade, precisão e conhecimento forense do personagem principal é inebriante, estimulando nossa curiosidade sempre.

Não há ação na série, e se há, é muito pouco. Raramente há perseguições ou tiroteios. E quando há, quase não vemos sangue sendo jorrado. Esse é mais um ponto negativo.

Há na história um outro personagem com a mesma maldição ou habilidade, e inclusive Henry torna-se sua vítima, aumentando seu ódio. Porém, até o momento  - assisti até o episódio 14 -, não sabemos como ambos adquiriram o poder da imortalidade. Objeto alien, artefato espiritual, excepcional acidente químico circunstancial: não sabemos o que promoveu tal dom. Essa pequena lacuna no roteiro, acredito, proposital, deve ser revelada e convincentemente. Provavelmente descartarão questões espirituais frágeis.

Apesar da falta de efeitos visuais em cenas de crimes, falta de porrada, colisões de veículos e classificação indicativa baixa, não apresentando cadáveres com intestinos expostos ou sangue lançado no avental e na tela, é uma boa série policial e, sobretudo, investigativa, com pequenos elementos de ficção e temas reflexivos existenciais - basta nos deleitarmos nas narrações iniciais ou finais do simpaticíssimo personagem principal.

Texto e pesquisa: 
Miguel Jr Arts